segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Hoje é um bom dia

Para deixar de fumar.
Há um momento, um daqueles momentos sem grande importância e aparentemente sem grande explicação para isso, mas que me ficou na memória. Já tem alguns bons anos e nele recordo-me de um idiota, neste caso eu próprio, a dizer para um amigo e sobre um outro amigo: "Não percebo como aquele gajo que nunca fumou na vida lhe deu agora para começar a fumar com vinte e tal anos. Que palerma!".

Pois bem, aqui o idiota que agora escreve fez ainda pior. Começou a fumar a sério já na casa dos trinta.
Nunca (ou sempre, depende do ponto de vista) fumei na condição daquilo que se pode chamar de um fumador a sério. Sempre fumei na condição daquilo que se pode dizer de fumar por brincadeira.
Há muitos anos que tinha o hábito, creio que até mais a brincadeira, de fumar um cigarro de vez em quando. Depois de um jantar com companhia que puxasse para isso, depois ou durante um copo com amigos, mas sempre muito de vez em quando e sem o perigo de "pegar". E quase sempre "cravado", para garantir a independência.
Creio que posso dizer que 2 ou 3 maços davam para as brincadeiras de um ano inteiro.

A idiotice surgiu há menos de 3 anos. Como tudo na vida, há sempre uma explicação. Pode ou não ser válida, mas existe.
A minha justificação passou pelo trabalho. Um dia com mais stress, o dia a seguir mantém-se, o seguinte idem aspas, mais uns quantos no mesmo ritmo e o companheiro do lado que estava no mesmo barco e que era fumador assíduo foram o necessário para me passar para o lado de lá.
Começou com o tal cigarro "cravado" de vez em quando e quando dei por mim estava a comprar tabaco com assiduidade. O maço que de início me dava para 2 ou 3 dias começou a desaparecer cada vez mais depressa e chegou ao que é hoje: comprado de manhã tem de ser bem racionado para conseguir chegar à noite.

No início existia aquela voz que me dizia que isso só iria durar enquanto o tal stress se mantivesse e depois a coisa ficava por aí. Mais uma vez idiota. O pico de stress desapareceu mas o vício nem por isso. Que treta!

E cá estou eu, vai para 3 anos, com inúmeras tentativas pelo meio, a tentar largar isso mas a não aguentar mais que um dia ou dois sem ir comprar o tal maço. Porque me apetece, porque agora sabia bem, porque passo o dia a lembrar-me dele e lá vou eu de novo.

Por falta de "levar na cabeça" da ala de colegas não fumadores não tem sido. É mesmo fraqueza física ou mental. O tal interruptor que se acende com frequência e me faz lembrar que "está mesmo a apetecer-me um cigarro".

Posso voltar a não conseguir, mas se ficar escrito talvez tenha mais peso. Vou voltar a tentar deixar de fumar e o maço que há pouco se acabou foi o último. Pelo menos vou meter isso na cabeça e vou esforçar-me para isso. Vou obrigar o meu cérebro a ler isto várias vezes e vou torturá-lo durante algum tempo até que ele pare de me torturar a mim e insista em dizer-me que tenho de ir comprar mais um maço.

Ao contrário do nome que me surgiu para este blog, isto agora foi pensado. Pelo menos espero que sim. Espero não ter de vir aqui dizer que este texto me saiu sem pensar bem no que estava a dizer.

SSP

1 comentário:

Diabba disse...

Um dia de cada vez, é o que faço há quase 10 anos.
E ainda me apanho a sonhar com um cigarro.
De manhã, garante a ti mesmo que "hoje, só hoje, não vou fumar".

enxofre